Dia Nacional de Combate a Discriminação Racial: Assistentes Sociais na luta antirracista

A luta pelo fim da discriminação racial ocorre todo dia. Além do Dia Nacional da Consciência Negra, registrado no calendário nacional em 20 de novembro, neste 03 de julho, reafirmamos o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial. 

Para reforçar essa luta cotidiana, num cenário acentuado de retrocessos e com o agravante da pandemia de COVID-19, reunimos uma conversa com quatro Assistentes Sociais da base, que reafirmam essa luta. São elas:

Alexsandra A.J. Moreira, 48 anos, negra, 20 anos de profissão, atua na área da saúde em Londrina
Juliana Moraes, 37 anos, negra, Assistente Social há 12 anos, trabalha no Sindicato dos Empregados de Estabelecimentos Bancários, Financeiros e Empresas do Ramo Financeiro de Curitiba e Região
Tatiana de Fátima Santos, 38 anos, negra, profissional há 9 anos, é servidora pública em Pontal do Paraná
Gilza Kaingang, 32 anos, indígena, da Terra de São Gerônimo, é Assistente Social há 4 anos e no momento é mestranda em Serviço Social e Política Social pela UEL

A luta contra a discriminação nos locais de trabalho:

As profissionais ressaltam a importância da representatividade e da vigilância. “É importante colocar as pessoas negras nos espaços de representação. Quando vou a congressos, sempre faço teste de cabeça e vejo que, às vezes, sou a única pessoa negra”, relata Alexsandra. Para Gilza, a luta é por reconhecimento. “O debate no âmbito do trabalho envolve todo lugar em que você está. Você tem que defender os seus. A profissão enaltece e reafirma que temos que lutar para que nos reconheçam, nos respeitem enquanto indígenas, para que vejam que não somos todos iguais”.

Juliana destaca que “debate interseccional (raça, gênero e classe) é constante. Temos que fazer ações e leituras coletivas de que o ambiente de trabalho não pode ter atitudes racistas”. Na opinião de Tatiana, na luta contra o racismo a/o Assistente Social “tem que ser crítico e interventivo, no envolvimento e na luta, que é tão necessária e urgente”.

Assistentes sociais contra o racismo na sociedade:

As Assistentes Sociais registram a importância do enfrentamento ao racismo e garantia de direitos à população usuária do Serviço Social. Gilza defende a presença de profissionais indígenas nos territórios, apesar das dificuldades do mercado de trabalho. “Eu sou da Terra de São Gerônimo, e penso que como profissional poderia contribuir muito para a minha comunidade”.

Tatiana defende a conscientização para a categoria não reproduzir práticas racistas: “Pessoas usuárias vêm de uma situação de injustiça social. Se faz necessário combater o racismo no acolhimento, na escuta, e traçar estratégias”. Alexsandra ressalta o acolhimento: “precisamos abrir esses espaços de atenção para a população negra, de reconhecimento de seu valor”. Juliana mostra a importância da reflexão com a população usuária, negra e não negra, do enfrentamento ao racismo: “Busco fazer reflexão do racismo estrutural em que vivemos e do combate a possíveis condutas racistas”.

Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília – Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Enfrentamento ao racismo estrutural:

De acordo com as profissionais, o momento é delicado por causa do avanço do conservadorismo, mas a luta deve ser reforçada. Alexsandra ressalta o enfrentamento e conscientização constantes e explica que “as definições dos lugares sociais, do lugar da pessoa negra vem desde a época colonial”.

Gilza registra ainda a necessidade de trazer Assistentes Sociais indígenas para o debate. “É fundamental expor nossos anseios e angústias, saber que temos direitos”. Para Tatiana, o racismo estrutural fica escancarado com a pandemia de COVID-19 e se faz necessária a defesa do SUS, do SUAS e da educação pública de qualidade. Ela relembra casos de violência contra negras/os. “Temos perdido negros e negras todos os dias e sempre que morre um, cada um de nós morre um pouco também”.

Segundo Almeida (2018, p. 25), o racismo “é uma forma sistemática de discriminação que tem a raça como fundamento, e que se manifesta por meio de práticas conscientes ou inconscientes que culminam em desvantagens ou privilégios, a depender ao grupo racial ao qual pertençam”. Caminhando lado a lado com o racismo, segundo o autor, discriminação é dar tratamento diferenciado em razão da raça.

Quarta Marcha das Mulheres Negras em Copacabana, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva-Agência Brasil.

Posicionamento do CRESS/PR no combate à discriminação Racial

O Conjunto CFESS/CRESS, nos últimos anos, tem atuado incessantemente no combate ao racismo e contra todas as formas de discriminação. 

No ano de 2018, o Conselho Regional de Serviço Social 11ª Região/PR, por meio de membros de sua delegação no 47º Encontro Nacional do Conjunto CFESS/CRESS, participou na construção da Carta de Porto Alegre, resultando também a deliberação do tema alusivo ao Dia do/a Assistente Social de 2019: “Se cortam direitos, quem é preta e pobre sente primeiro. A gente enfrenta o racismo no cotidiano!”. Além disso, em 2019, por meio da campanha “Assistentes Sociais no combate ao Racismo” foram realizadas diversas ações em todo estado.

No ano de 2020, o cenário que se apresenta não é nada agradável, tendo em vista o avanço da onda ultraconservadora e seu projeto de necropolítica, aliada à conjuntura avassaladora em todos os campos, principalmente, da cultura, da política, social e da saúde. A população que mais sente estes ataques é principalmente a população pobre negra, indígenas, LGBTI+ e mulheres negras.

Rio de Janeiro – Ato “A alma não tem cor – Não ao Racismo”, na praia de Copacabana (Tania Rego/Agência Brasil)

Em sua forma mais evidente, o racismo é apontado em pesquisas que mostram os índices de homicídios (de homens e mulheres) e feminicídios (homicídios com agravante de violência contra a mulher). Segundo o Atlas da Violência do IPEA, entre 2007 e 2017 houve aumento de 111% nos homicídios de homens negros. No Paraná o aumento foi de 95,4%. Quanto às mortes de mulheres (que inclui tanto homicídios de mulheres quanto feminicídios) houve aumento de 99,5% no país. No Paraná o aumento foi de 50. No recorte específico sobre feminicídios, em 2019 houve aumento de 7,3% no Brasil em relação a 2018, segundo dados do Monitor da Violência. No Paraná o aumento foi de 28,9%.

Sobre a violência contra povos indígenas, segundo o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, de 2018, mostra que naquele ano foram 135 homicídios; 101 suicídios; 142 casos de violência por omissão do poder público; 941 registros de violência contra o patrimônio; e 110 casos de violência contra a pessoa.

Assistentes Sociais, na defesa do Projeto Ético Político, têm o dever de lutar cotidianamente contra o racismo e contra todo tipo de discriminação. A defesa intransigente dos Direitos Humanos e sociais está diretamente vinculada ao combate ao racismo. Logo, requer pensar formas e mobilização de estratégias no combate à discriminação racial de forma efetiva. 

O CRESS-PR está presente e convida a categoria a engajar-se no dia a dia na luta antirracista e no combate à toda e qualquer forma de discriminação racial.

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