CRESS / PR Sedia Plenária estadual da Marcha Mundial das Mulheres
Ocorreu no dia 22/08/09, na sede do CRESS PR evento que reuniu mulheres do Estado todo, representantes dos mais diversos segmentos.
Cmprindo os princípios do seu código de Ética tem empreendido todos os esforços para caminhar junto com os movimentos sociais e de defesa dos direitos humanos, por isso, tem ocupado espaços políticos importantes, além de abrir demandas para que os movimentos que comungam dos mesmos ideais da nossa profissão se juntem a nóes. A realização de uma plenária de um movimento tão importante quanto a MMM no seu espaço, significa mais do que ceder o espaço físico. É, acima de tudo, a materialização de tudo o que defendemos politicamente.
Partindo de um breve histórico da Marcha Mundial das Mulheres, uma vez que havia novas companheiras se aproximando do Movimento, a representante da Executiva Nacional da MMM/SP- Tika Moreno - contextualizou o seu surgimento, bem como os eixos de luta definidos em virtude da realidade atual do capitalismo, apontando para a Ação 2010. Há cada 5 anos as Mulheres militantes da MMM marcham mundialmente para denunciar, criticar e apontar as necessidades de mudanças estruturais, sociais e políticas para o mundo, apresentando documentos importantes que pautam os interesses das mulheres, em consonância com reivindicações dos diversos movimentos sociais revolucionários do planeta. Tais documentos são construídos e discutidos em atos e plenárias diversas, sendo endereçados às autoridades locais para que, através da implementação de políticas públicas, assumam o seu papel na construção da igualdade entre homens e mulheres, na garantia dos direitos fundamentais das mulheres, entre outros.
A Ação 2010 acontecerá mundialmente de 08 a 18/03/10, sendo que no Brasil ela fará o trajeto de Campinas a São Paulo, capital, fazendo atos, debates, atividades de mobilização e conscientização acerca da situação das mulheres no mundo. Contará com a participação de mulheres da MMM de todos os Estados, sendo que o Paraná pretende comparecer no referido evento com um grande contingente de participantes, além, é claro, de também organizar um forte 8 DE MARÇO em Curitiba, como tem feito todos os anos, em conjunto com os demais movimentos de mulheres e feministas.
Além de planejar e definir estratégias para a construção deste evento mundial, também foi discutida a Soberania Alimentar, que envolve o trabalho das mulheres do campo com as relevantes contribuições das companheiras Hermínia M. Schortz, representante do Movimento de Mulheres Camponesas, de São Mateus do Sul e Cybelle Martins Cardozo, de Curitiba, assessora do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário pela SOF – Sempre Viva Organização Feminista). A primeira tratou de contextualizar as mudanças estruturais do sistema capitalista que, forçosamente obriga as pessoas ao consumismo, ao mesmo tempo em que transforma o trabalho e as relações sociais e comunitárias no campo, intensificando a exploração da força de trabalho feminina, cujo reconhecimento e remuneração inexistem. A segunda tratou de apresentar os programas do Governo Federal que oferecem instrumentos para a construção da emancipação econômica das mulheres do campo, através de incentivos, fomentos e investimentos públicos, bem como de confecção de documentos e orientações várias, problematizando a invisibilidade de tais programas, evidenciando que, até o momento em que são os homens que acessam os financiamentos disponibilizados pelo governo, os referidos investem apenas nas grandes produções e maquinário. Segundo Cybelle e Hermínia, tal realidade desconstrói a possibilidade de autonomia financeira das mulheres e reforça a invisibilidade do seu trabalho em “pequenas” produções (hortas domésticas, criação de animais / ordenha, artesanato, etc), que em muitos casos, acabam sendo atividades financeiras mais importantes do que a dos homens porque são elas que produzem a sustentabilidade da família, além de fazer com as mulheres trabalhem mais do que os homens, pois realizam tudo isso e ainda cuidam das tarefas domésticas e dos filhos, idosos, doentes, etc...
Ambas as exposições suscitaram intenso debate e levaram a plenária a propor ações estratégicas para o Estado todo em torno de tais temáticas, bem como de outras já previstas no planejamento da Marcha, que giram em torno não só da autonomia econômica das mulheres, mas também da questão da paz e da desmilitarização mundial, da questão relativa ao bem comum e aos serviços públicos e da violência contra a mulher.
Para dar cabo destas grandes tarefas postas para a Marcha Mundial das Mulheres foi reestruturada sua coordenação em nível estadual, com um novo formato, a partir de representações dos movimentos sociais e políticos, tais como: CUT, Sindicatos (SISMUC, SISMMAC, APP, outros), Movimento Negro, MST, MPA, MMC, LGBT, Associações de Moradores e demais entidades de defesa dos direitos humanos e de Mulheres, bem como de representantes dos mandatos de parlamentares ligados ao campo democrático e popular presentes na referida plenária (Lemos, Rosinha, Ver. Lirani e Ver. Professora Josete). Além disso, a coordenação terá representantes na Região Metropolitana de Curitiba e em várias regiões do interior do Estado para que se possa fortalecer a luta das mulheres, transformando-a em luta do povo e assim continuarmos seguindo “em Marcha até que todas sejamos Livres!”, pois o que se busca é “Mudar a vida das mulheres para mudar a sociedade. Mudar a sociedade para mudar a vida das mulheres!”
Por: Daraci Rosa dos Santos - 1ª Secretária do CRESS / Membro da MMM.

